segunda-feira, 6 de julho de 2009

Não deixe a sua cor passar em branco - Censo 2010

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Não deixe a sua cor passar em branco – o que esperar para o Censo de 2010

Wania Sant’Anna*
23/06/2009 - 12:23:39


“Afastada a questão de desigualdade, resta na transformação biológica dos elementos étnicos o problema da mestiçagem. Os americanos do Norte costumam dizer que Deus fez o branco, que Deus fez o negro, mas que o Diabo fez o mulato. É o ponto mais sensível do caso brasileiro. O que se chama de arianização do habitante do Brasil é um fato de observação diária. Já com um oitavo de sangue negro, a aparência africana se apaga por completo é o fenômeno do passing nos Estados Unidos. E assim na cruza contínua de nossa vida, desde a época colonial, o negro desaparece aos poucos, dissolvendo-se até a falsa aparência de ariano puro.” Paulo Prado, Bacharel em Direito, fazendeiro, empresário e influente porta-voz da aristocracia paulista, em Retratos do Brasil, de 1928.

Em maio de 2008, no aniversário de 120 anos da Abolição do trabalho escravo, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA) fez ecoar por vários órgãos uma informação, para muitos, bombástica: mantendo-se as tendências demográficas atuais para a população brasileira de “cor/raça” branca e negra, em 2010 a população negra deverá ser maioria no país.

No Brasil, acontecimento como esse tem uma longa história, com vários capítulos, e todos difíceis de serem tratados em um único artigo. No entanto, existe algo sobre ele que ressalta como especial. Ao contrário do desejo – manifesto ou oculto – de transformar o país em uma nação menos negra que o perfil da população demonstrava ao final da escravidão – e ao contrário da ideologia do embranquecimento – empreendida e glorificada por diversos meios ao longo de mais de um século – os afro-descendentes no Brasil não desaparecerão de forma tão simples quanto se pôde, um dia, imaginar.

Essa provavelmente maioria em 2010 demonstra a superação de barreiras impressionantes a sua existência física e cultural. Nunca é demais lembrar, por exemplo, que os incentivos público e privado à política de migração européia de finais do século XIX e início do século XX, responsável, em seis décadas, pelo ingresso de mais de 4 milhões de cidadãos europeus, teve como uma de suas justificativas o embraquecimento da população brasileira e resultou, entre outras conseqüências, no desprezo e restrição ao uso da mão-de-obra recém-liberta em atividades produtivas tanto nas regiões urbana como rural.

O histórico de esquecimento e desvalorização dessa parcela da população pode ser percebido em quase todas as esferas de realização de direitos sociais, econômicos, políticos e culturais. Por todo o país, a grande maioria da população afro-brasileira enfrentou, no seu primeiro século pós-escravidão, o infortúnio da fome, da insalubridade, do analfabetismo, da interdição ao voto por não saberem ler e escrever. Por todo século, em liberdade, os afro-brasileiros viram-se como alvos de aparatos de segurança por cultuarem os orixás, por jogar capoeira, por realizar rodas de samba, por não terem carteira de trabalho assinada, por terem uma “aparência suspeita”. Como diz o samba enredo, atravessou-se o século longe dos açoites da senzala, preso na miséria das favelas.

Assim, uma maioria afro-brasileira em 2010 desafia o histórico de taxas mais elevadas de mortalidade infantil, as sugestões freqüentes de esterilização das mulheres como o caminho mais “adequado” de redução da pobreza no país, as taxas mais elevadas de homicídio entre os jovens negros em qualquer região metropolitana. Assim, nós acreditamos que ser maioria, em 2010, é um acontecimento resultante da consciência forjada pelo discurso anti-racista de elevação da auto-estima da população negra e de luta por direitos elaborados pelas organizações do movimento negro e seus ativistas.

Se em mais de 120 anos os indicadores sócio-econômicos da população branca e negra permanecem apresentando diferenças tão expressivas na educação, nas condições de moradia, na ocupação, nos rendimentos resultantes do trabalho, na formação profissional, na ocupação de posições de decisão nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, qual o significado de, ainda assim, os afro-brasileiros virem a ser, numericamente, maioria em 2010 senão a consciência de que se deve, ao menos, respeitar a sua própria existência?

A persistência das classificações de cor

Considerando as classificações utilizadas nos censos brasileiros realizados desde o século XIX, é possível afirmar que a identificação étnico/racial da população brasileira não constitui uma realidade recente e que há 137 anos o país realiza levantamento sistemático sobre as origens étnico/raciais ou culturais de seus residentes. A novidade, desde os anos 80 do século passado é a pressão do movimento negro e seus ativistas para que os dados coletados fossem divulgados com regularidade para toda a população e a vitória obtida, nos anos 90, com o atendimento a essa demanda.

Nessa trajetória de classificação étnico/racial, importa relembrar que, no Brasil, o primeiro levantamento censitário, em 1872, foi determinado por uma lei tida como golpe fatal ao regime escravo: a Lei Rio Branco, ou como ficou popularmente conhecida, a Lei do Ventre Livre – de 28 de setembro de 1871. Interessados em realizar o “mais relevante levantamento sobre a população escrava” no Brasil, e proceder às medidas de libertação dos cativos, a Lei aponta no seu Artigo 8o que “O Governo mandará proceder à matricula especial de todos os escravos existentes no Império, com a declaração do nome, sexo, estado, aptidão para o trabalho e filiação de cada um”.

Desde então, e à exceção dos censos realizados em 1900, 1920 e 1970, todos os levantamentos censitários nacionais têm incluído perguntas referentes à cor e à etnia da população brasileira. Em 1910 e 1930 não foram realizados os levantamento censitários. A literatura disponível sobre o assunto informa que a não realização dos censos se deu por problemas de ordem política.

No Censo de 1872 foram utilizadas, além das classificações “livres” e “escravos”, as classificações de cor/etnia branco, preto, pardo e caboclo. No caso da população cabocla, esta incluía os indígenas e seus descendentes. Em 1890, não sendo mais necessário coletar informações sobre o status de livres ou escravos, foram utilizadas as classificações branco, preto, caboclo e mestiço.

Com a criação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1936, e a realização do primeiro levantamento censitário sob sua responsabilidade, em 1940, as classificações de cor/etnia serão mantidas com as denominações: branco, preto e amarelo. A novidade será a introdução de um espaço em branco reservado à resposta quando fosse impossível determinar a cor do recenseado. Neste caso, os recenseadores optaram por classificações tais como “caboclo, mulato e moreno”. As classificações resultantes da opção em aberto levaram a decisão de agrupá-las em uma única classificação: “pardos”. Data desta época a consolidação do “pardo” como uma síntese das classificações caboclo, mulato, moreno, cafuzo, entre outras denominações tidas como expressões do caráter miscigenado da população brasileira. Finalmente, a única alteração substantiva é a introdução, em 1991, da classificação indígena, consolidando cinco opções de classificação de “cor/raça” no país: branco, preto, pardo, indígena e amarelo.

São essas as cinco classificações clássicas, consolidadas entre os brasileiros nos levantamentos censitários, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e que tem ancorado as reivindicações de políticas públicas voltadas à população afro-descendente por todo o país. Ou seja, reivindicações pautadas em um sólido histórico de levantamentos nacionais sobre a “cor/raça” dos residentes no país e, portanto, sem nenhum motivo substantivo para alteração no Censo 2010.


Os rumores sobre as mudanças na coleta e na classificação de “cor/raça”

Em novembro de 2008, uma representante do IBGE presente ao Seminário Censo 2010 y la inclusión del enfoque étnico – Hacia una construcción participativa com pueblos indígenas y afrodescendientes de Amércia Latina, organizado pela Comissão Econômica para a América Latina (CEPAL), no Chile, anunciou, entre outros destaques, uma significativa – senão decisiva – mudança na forma de coletar as informações sobre “cor/raça” no próximo censo brasileiro. Segundo essa representante, o IBGE já haveria decidido transferir a pergunta relativa à “cor/raça” da população do “questionário da amostra” para o “questionário básico”.

O que isso quer dizer? O processo de recenseamento inclui a utilização de dois questionários – o básico e o da amostra. O “questionário básico” é destinado à coleta de alguns dados junto a todas as pessoas residentes no país – ou seja, ele é o instrumento a ser aplicado a todos os domicílios ocupados.

O “questionário da amostra”, ao contrário, é aplicado apenas a uma parcela das pessoas residentes no país e, como o nome adianta, trata-se do ponto de vista da ciência estatística de uma amostra, um “extrato” do universo. Trata-se, portanto, de um instrumento a ser aplicado a uma fração dos domicílios ocupados. Mas um extrato suficientemente robusto porque substantivamente estratificado para representar de modo adequado o universo da população recenseada.

Além dessas duas distinções sobre a quem toca responder a um e outro questionário, outro diferencial fundamental nos dois instrumentos de coleta tem a ver com o seu conteúdo. Enquanto o “questionário básico” é composto de pouquíssimas perguntas o “questionário da amostra” inclui um vasto e variado conjunto de temáticas traduzidas em considerável número de perguntas. No que diz respeito aos domicílios visitados no Censo de 2000, o “questionário básico” incluiu apenas seis perguntas relacionadas às características dos moradores – a saber: sexo, relação com a pessoa responsável pelo domicílio, mês e ano de nascimento, idade, condição de alfabetização (sabe ler e escrever) e escolaridade (última série concluída).

No caso do “questionário da amostra”, além de todas as perguntas do “questionário básico”, este inclui um amplo conjunto de perguntas sobre característica do domicílio e de seus moradores. Em 2000, as perguntas relacionadas às pessoas residentes no domicílio ultrapassavam sessenta e, como de praxe, as respostas eram condicionadas a situações individuais, tais como a de ser mãe, estudante, empregado, aposentado, entre outras. Através dele é possível obter amplo diagnóstico dos domicílios, das pessoas e das famílias residentes no país – tipos de moradia, condição de ocupação e equipamentos domésticos no domicílio, posição na família, perfil das migrações internas, escolaridade, condição de atividade (emprego, desemprego, aposentarias), rendimento resultante de atividade produtiva ou não, informações sobre gestações, entre outros.

Até o presente, é no questionário da amostra que encontramos a pergunta sobre “cor/raça” da população brasileira. De fato, será no questionário da amostra que iremos encontrar as perguntas relacionadas ao campo da diversidade como, por exemplo: sexo, idade, religião, deficiência, naturalidade, nacionalidade, estado civil, entre outros. Resumindo, o “questionário da amostra” fornece informações importantes para um conjunto imenso de análises sócio-econômicas sobre a população residente no país bem como para o estabelecimento de políticas públicas para essa população.

Tendo isso em mente, a robustez da amostra e sua capacidade de representar o universo da população brasileira nos diversos temas investigados no Censo, que motivo levaria o IBGE a tomar a decisão de retirar a pergunta relativa à “cor/raça” da população do “questionário da amostra”, transferindo-a para o “questionário básico”? Nossa crença é a de que essa decisão não se justifica por outro motivo senão o de provocar problemas na coleta de informações sobre a “cor/raça” da população brasileira.

Outro rumor em torno do Censo de 2010 diz respeito a alterações das classificações de “cor/raça”. Segundo tais rumores, o IBGE estaria pensando em ampliar as classificações disponíveis, tendendo a incluir “matizes” de cor. Os argumentos estariam pautados na consideração de que, pelo país afora, as cinco classificações adotadas até aqui não dariam conta de captar o matiz “miscigenado” da população – ou seja, as classificações “preto” e “pardo” a partir das quais temos conseguido fazer expressar a consciência relacionada à afro-descendência e ao legado de 4 milhões de africanos – homens e mulheres – trazidos como escravos para o Brasil, devem ser alteradas para dar sentido ao vazio da “morenice”.

Isso é o que poderíamos chamar, na linguagem do futebol, de um “tapetão”. Para as organizações do movimento negro e seus ativistas a classificação “pardo” sempre foi um incômodo – pardo são os gatos e papel de embrulho. No entanto, também é verdade que nos últimos 35 anos essas organizações e seus ativistas logram conscientizar a população brasileira, em especial a população negra, de que o fenótipo negro, aquele que indica sem sofisma a herança da escravidão, constitui um dos mais fortes motivos de preconceito, discriminação racial e racismo, e que os indicadores de vulnerabilidade social, econômica, política e cultural de “pretos” e “pardos” são, rigorosamente, os mesmos. Assim, não existem divisões no interior desse grupo que justifique separações, ou negações à sua luta por direitos sociais, econômicos, políticos e culturais.

E, talvez, isso explique, por exemplo, outra importante mudança no padrão de identificação da população brasileira por cor ou raça. Entre 1991 e 2000, as variações em termos da participação relativa da composição da população total, segundo os grupos de cor, mostram que o percentual de população de cor preta aumentou mais de 22%, enquanto o de brancas só se incrementou em 3.5%, e as pessoas autodeclaradas pardas diminuiram em mais de 8%.

Enfim, todos esses dados não são sutilezas. Eles expressam muitos acontecimentos – da ampliação da consciência ao contato com um mundo globalizado que nos informa, a cada dia com mais vigor, as lutas contra a discriminação étnico/racial em todos os continentes. Nesse contexto, de emergência do debate sobre a má distribuição dos recursos simbólicos e políticos, em nível planetário, é ingênuo pensar que mudanças apresentadas às pressas e com intuito de frear esse sentido de consciência e conscientização possam ser estancadas dessa maneira.

É tempo de alerta. Não se pode correr o risco de perder tudo o que se conseguiu construir como série histórica de indicadores sobre o perfil das desigualdades sócio-econômicas que os levantamentos censitários, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e Pesquisa Mensal de Emprego (PME) nos fornecem de forma fidedigna. Quebrar essa série histórica é uma aventura sem limites. O Censo está aí e talvez seja o momento adequado de, mais uma vez, lembrar e atualizar a campanha, desenvolvida durante a realização do Censo de 1991, “Não deixe sua cor passar em branco – Responda com bom c/senso”.

Àquela época a Campanha listou três objetivos sensíveis, a saber:

1. Sensibilizar pessoas de origem africana a declarar sua cor a partir do referencial étnico;
2. Contribuir na construção de indicadores nacionais sobre as condições sócio-econômicas da população de origem africana;
3. Fazer veicular uma mensagem positiva da população de origem negra tendo em vista a recuperação de sua auto-estima cultural e política.

Ao que tudo indica, em 2010, vamos ter a oportunidade de acrescentar ao menos mais um: assegurar que o combate ao preconceito, à discriminação racial e ao racismo seja um objetivo permanente de uma sociedade que deseje ser justa, democrática e anti-racista.

* Historiadora, pesquisadora de relações de gênero e relações raciais. Atualmente atua como consultora permanente da Comissão de Diversidade da Petrobrás.

Fonte Jornal Ìrohìn
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Museu de Percurso do Negro - Porto Alegre-RS

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Museu de Percurso do Negro começará a ser instalado em junho
1/05/2009

Foi assinado no mês de maio o contrato de financiamento de atividades entre a Unesco e o Grupo de Trabalho Angola-Janga para a execução do Museu de Percurso do Negro no Centro Histórico de Porto Alegre. Este museu faz parte das ações de cunho cultural do Programa Monumenta e o investimento será de R$ 184,3 mil. O museu será composto, num primeiro momento, de quatro esculturas no centro histórico e de um roteiro monitorado por guias escolhidos pela FASC e outra parte pelo movimento negro local.

A novidade é que essas esculturas serão construídas por artistas negros, de forma coletiva, mediante um programa de oficinas. A idéia é dar à cidade monumentos com estética específica e representante da história do povo negro na capital. Desde 2000 o CRAB, Centro de Referência Afro-Brasileiro, vem reivindicando esse projeto, tendo em base a falta de elementos que representem a cultura negra no patrimônio material (prédios, monumentos, ruas) do centro da cidade.


O primeiro passo do projeto será a implantação de oficinas de capacitação de artistas e monitores para a confecção das esculturas e o estabelecimento de um roteiro da história negra no Centro da cidade, tendo aquelas esculturas como ponto de partida as decisões internas ao projeto serão tomadas por um Conselho Gestor composto por representantes de secretarias do município afeta ao projeto e por um conjunto de organizações do movimento social negro em Porto Alegre.

O Grupo de Trabalho Angola-Janga é uma organização não governamental, fundada em 11 de novembro de 1988. Atua na área da educação, desenvolvendo cursos de formação e capacitação destinados a militantes do movimento negro, jovem em situação de vulnerabilidade social, entre outros. O mote da organização é a promoção da igualdade racial.

Informações sobre o grupo Angola-Janga: (51) 3226.8888 e 3226.1556 - lua.janga@gmail.com

http://www2.portoalegre.rs.gov.br/smc/default.php?p_secao=179

recebido de Sandra Helena Figueiredo Maciel - shmaciel@yahoo.com.br
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Cafona é ser racista!

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Cafona é ser racista!

por Reinaldo Bulgarelli

Ações afirmativas e cotas visam corrigir situações de desigualdade baseadas em discriminação a determinados segmentos. Elas imprimem uma velocidade maior do que a consciência do conjunto da sociedade consegue garantir na solução dos problemas. Fazem todo sentido diante das resistências imensas que compõem as barreiras para dificultar o caminho do grupo discriminado.


Cota para mim é o mesmo que assinar um decreto de que a consciência ética faliu diante dos passos lentos e da resistência imensa que os negros enfrentam. Por isso mesmo apoio ações afirmativas e cotas. Depois da falência, podemos reconstruir nossa civilidade juntos e não na apartação vigente. Neste momento, são trinta e um anos da minha história escutando que o problema é social e não racial, que tudo se resolve apenas com o enfrentamento da pobreza e da insustentável concentração de renda. Não acho justo pedir aos jovens negros que tenham paciência e aguardem do lado de fora enquanto nossa consciência se amplia para não mais precisarmos de cotas. Em 1978, quando me dei conta do que era ser branco neste país racista, meus amigos negros já escutavam essa história e não acho justo que outros jovens continuem sendo enganados por essa retórica que tudo promete e nada de concreto propõe.

Podemos até acelerar esse processo de ampliação da consciência quando há cotas corrigindo as desigualdades. A questão é que não pode haver um tempo imenso distanciando nosso discurso da prática. Se hoje nos damos conta do racismo que nos atrapalha a todos, hoje mesmo podemos fazer algo para melhorar a qualidade das relações raciais. Mas a retórica joga para o futuro a solução e eu já venho assistindo isso na década de 70, 80, 90 e nesta primeira década do século XXI. Isso para falar em primeira pessoa, sem querer evocar aqui todos aqueles que vieram antes de mim. Podemos continuar pedindo paciência aos negros? Acredito que está na hora de brancos terem paciência com as conquistas que o movimento anti-racista vem realizando no campo da educação e do mercado de trabalho, por exemplo.

Trabalho atualmente com o meio empresarial, que ampliou minha consciência e meu compromisso com o anti-racismo por várias razões. Uma delas foi perceber que cresce a consciência entre empresários e as altas lideranças empresariais de que o racismo é prejudicial às pessoas, aos negócios e à sociedade. Muitos já se deram conta de que o racismo restringe possibilidades na composição de equipes efetivamente preparadas e na construção de planos condizentes com a realidade do país. Com argumentos muito pragmáticos, há quem tenha se dado conta de que o mercado interno pode ser ampliado na mesma medida em que se combate o racismo nos processos de escolha do próprio quadro de funcionários.

Eu continuo achando que combater o racismo é a coisa certa a ser feita, mas estes argumentos práticos para o sucesso dos negócios apenas fortalece minha convicção de que é um erro para todos apostar na discriminação racial e mantê-la sem alterações significativas por séculos. Creio também que é preciso ser mais firme na reversão dos argumentos para gerar reflexões de tipo novo em quem está numa situação privilegiada e não se dá conta disso. O racismo é uma ideologia que aparentemente beneficia alguns em detrimento de outros, os escolhidos para ficar do lado de fora. Ele prejudica a todos e dar-se conta disso amplia a solidariedade entre todos no aprendizado necessário para uma vida sem a prática do racismo.

Paulo Borges, diretor do São Paulo Fashion Week, ficou em grande evidência diante das ações que visam ampliar o número de negros neste empreendimento da moda que, segundo ele mesmo diz, trata-se de um negócio, muito mais do que uma arte. Ele disse também que essa discussão sobre negros na Fashion Week é cafona. Tem toda razão. O racismo é cafona, para repetir esse termo que alguns gostam de utilizar para se referir à falta de bom gosto na maneira de ser. Não é chique ser racista. Coisa mais sem sentido, por isso mesmo, é dizer que no Brasil não há modelos negros preparados para as passarelas. O argumento racista sempre coloca a responsabilidade sobre os negros e usam essa história da falta de preparo. É ingenuidade, piloto automático ligado que reproduz o que ouviu falar na esquina ou má vontade mesmo para barrar as pessoas segundo seu pertencimento étnico-racial.

A cafonice chega ao ponto de atrasar o pagamento dos modelos negros ou de pagar bem menos do que pagam aos modelos brancos, além de dizer que o Termo de Ajustamento de Conduta, assinado com o Ministério Público, atrapalha a liberdade dos artistas. Arte ou negócios? É preciso entrar num acordo. E arte só com brancos é mais arte ou arte de melhor qualidade? Não deveria se envergonhar quem diz algo deste tipo?

Ao invés de causar vergonha aos que defendem a falta de diversidade nas passarelas, causa vergonha em alguns modelos negros. Fiquei especialmente entristecido com a fala de uma modelo negra que se colocou diante do seguinte dilema: agora não será mais possível saber se me convidaram porque sou bonita ou porque há cotas para negros nas passarelas. Posso ajudá-la dizendo que seria muito bom que modelos brancos também vivessem intensamente esse dilema: será que estamos aqui porque somos bonitos ou porque os organizadores disso tudo são racistas e só reconhecem beleza em quem é branco?

Vejo algumas mulheres com essa mesma questão em empresas que investem em ações afirmativas na carreira feminina: será que fui promovida porque sou competente ou apenas porque sou mulher? Segundo pesquisa do Instituto Ethos, quase 90% da alta liderança das 500 maiores empresas do Brasil é constituída de homens, sobretudo brancos. Mesmo assim, eu nunca vi nenhum grande líder revelar em alguma entrevista que está em crise porque não sabe se alcançou a alta liderança da organização porque é competente ou apenas porque é homem e branco.

Já não se sustenta mais o argumento de que não houve tempo de formar uma liderança feminina porque a entrada significativa da mulher no mercado de trabalho se deu nos anos 70. Quase quarenta anos não foi suficiente para que mulheres alcançassem postos de liderança? Há homens que começaram uma carreira e até já se aposentaram neste mesmo período. As empresas que não são cafonas investem em ações afirmativas para acelerar esse lento processo de conscientização e para enfrentar com inclusão efetiva as resistências impostas pelo machismo.

Mas, têm que conversar com as mulheres e explicitar sua visão para evitar boicotes por parte daquelas que podem salvar a empresa da cafonice do machismo. Elas explicitam a todos que a diversidade evita risco aos negócios, melhora a qualidade das decisões, oferece maiores possibilidades de sucesso ao se lidar com um país também diverso e, acima de tudo, é a coisa certa a ser feita. A diversidade na população economicamente ativa é constituída de homens e mulheres, assim como de brancos e negros, hetero e homossexuais, pessoas com e sem deficiência, pessoas mais jovens e com mais de quarenta anos, entre tantas outras características que podem se transformar em motivo para desigualdades persistentes, naturalizadas e firmemente defendidas com argumentos de que o problema é social.

Ações afirmativas e cotas são conquistas de gente que tem pressa e quer dialogar sobre soluções melhores do lado de dentro e não da janela das organizações. Essa imagem é muito nítida quando escuto que os que estão do lado de fora devem ter paciência porque as mudanças são mesmo lentas e dependem da elevação da consciência de todos. Não podemos conversar na sala da casa ao invés de gritarmos por paciência lá do último andar? Essa multidão, que artificialmente é colocada na base da pirâmide por complexos processos de discriminação negativa, tem que ficar do lado de fora, na chuva, enquanto a gente se entende? Não podemos enfrentar nossos dilemas juntos, olho no olho, no mesmo piso? Não podemos juntos ganhar consciência, nos educarmos, sensibilizarmos e melhorarmos nosso desempenho neste campo da valorização da diversidade? Será que solitariamente um grupo de iluminados vai dar conta dos desafios de nosso tempo? Valorizar a diversidade é preciso e é urgente!

Reinaldo Bulgarelli, sócio-diretor da Txai Consultoria e Educação, empresa que atua na área de sustentabilidade e responsabilidade social empresarial.

reinaldo@txaiconsultoria.com.br - Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.


Recebido de Dep. Jose Candido/GAB/ALESP em 03/07/2009
julianvic@gmail.com
fonte: http://www.geledes.org.br/ / Em Debate

Pesquisa: brasileiro = menos salário, mais impostos

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Brasileiro que ganha menos tem que pagar mais impostos para a União

Quem ganha até dois salários mínimos tem que trabalhar 197 dias, quase a metade de um ano, para pagar impostos para o governo. Já quem ganha mais de 30 salários mínimos, equivalente a mais de R$ 10 mil, compromete apenas 106 dias do ano. O número é pouco mais da metade do que é dedicado pela população de baixa renda.


Os dados são da pesquisa "Receita pública: quem paga e como se gasta no Brasil” e reforça a forte marca das desigualdades existentes entre ricos e pobres no país.

O documento foi feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com a Receita Federal. Segundo o presidente do Instituto, o professor Marcio Pochmann, os trabalhadores tem uma carga tributária 78% maior do que a dos patrões. De forma contraditória, quem tem menos dinheiro paga mais imposto aos cofres da União.

A maior parcela dos gastos da população de baixa renda é com itens básicos como alimentação, habitação e transporte. No entanto, a maior parte do dinheiro arrecadado com os impostos não é gasto com esses itens. A maior verba é destinada pela União aos setores da previdência social, educação e saúde e com o pagamento de juros.

A pesquisa não tem como prever a quantia da arrecadação desviada em esquemas de corrupção.

De São Paulo, da Radioagência NP, Aline Scarso.
01/07/09

Fonte Rádio Agencia NP
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Empreendedores individuais

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Empreendedores individuais têm incentivos para formalização

em questão
Editado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República Nº 836 - Brasília, 1 de Julho de 2009


Profissionais de aproximadamente 170 atividades econômicas poderão se formalizar para obter vários benefícios. O Programa do Empreendedor Individual foi criado com o objetivo de facilitar a formalização de 11 milhões de brasileiros que vivem de pequenos negócios ou da prestação de serviço. Entre os profissionais que são considerados microempreendedores estão alfaiates, costureiras, artesãos, cabeleireiros, cozinheiros, engraxates e jornaleiros.

Para incentivar a adesão, são oferecidas vantagens para o trabalhador. Com a inclusão da a figura jurídica do empreendedor individual no Simples Nacional, ele passa a ser o primeiro degrau desse regime tributário, caracterizado por tarifas simplificadas e reduzidas. O empresário individual está isento de impostos federais. Sua contribuição à Previdência Social é de R$ 51,15 (11% sobre o salário mínimo). Já os impostos do estado e do município têm custo reduzido (ver quadro).

O empreendedor individual, com renda de até R$ 36 mil por ano (ou até R$ 3 mil por mês), terá direito a salário-maternidade, auxílio-doença, aposentadoria por idade e aposentadoria por invalidez. Já a família, fica protegida com pensão por morte e auxílio-reclusão. Outra vantagem da formalização é o acesso a crédito com juros diferenciados e a possibilidade de participar de processos de compras governamentais e de outras políticas públicas voltadas para o setor.

Regras para obter os benefícios

Quem pode se cadastrar - Profissionais definidos como microempreendedores pela Resolução 58 do Comitê Gestor do Simples Nacional, com receita bruta de até R$ 36 mil no ano-calendário anterior. O microempreendedor pode ter, no máximo, um funcionário que ganhe até um salário mínimo e deve optar pelo Simples Nacional.

Impostos Federais - O empresário individual está isento de impostos federais e paga apenas R$ 51,15 (11% sobre o salário mínimo) à Previdência Social

ISS - Prestadores de serviço pagarão apenas R$ 5 de Imposto sobre Serviço (ISS) para a prefeitura.

ICMS - Microempreendedores que atuem na indústria ou comércio pagarão o valor simbólico de R$ 1 de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS) para o governo estadual.

Comparativo - Para o empreendedor que pagasse 5% sobre um faturamento mensal de R$ 3 mil, o ISS seria de R$ 150. Com o Programa do Empreendedor Individual, o valor será de R$ 5. Já para o ICMS, cujas alíquotas variam entre 12% e 18%, de acordo com o estado, a redução seria ainda menor. Considerando a alíquota de 12%, o imposto seria de R$ 360 para um empreendedor com faturamento mensal de R$ 3 mil. Agora, o empreendedor formalizado pagará somente R$ 1.
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Artistas invisíveis

por: Claudio Costa
01/07/2009

Partiu de Beth, e mais duas artesãs, a iniciativa de criar a associação

No dia 15 de junho, o Sebrae lançou o primeiro Centro de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), que funciona na Praça Tiradentes, Centro do Rio. O lugar pretende auxiliar grupos espalhados pelo Brasil a divulgarem seus trabalhos, já que grande parte dos artesãos sofre por não ter uma sede própria e nem um local para mostrar seus produtos.

Perto de completar um ano em julho, a Associação de Artesãos do Município de Queimados (ADPARQS) ainda encontra muita dificuldade para expor as peças produzidas pelas 40 mulheres que fazem parte da associação. A falta de um espaço compromete a vida de grande parte delas que, na maioria das vezes, é formada por mulheres que têm no artesanato a única fonte de renda. Para tentar superar esta dificuldade, a própria associação alugou uma pequena loja e cobra 10% do valor de cada peça vendida pelo artesão.

A criação da associação partiu da iniciativa de três artesãs: Sônia de Souza (falecida), Neurizete da Silva e Iolanda Derex, que não conseguiam um espaço para mostrar as peças que produziam. Logo depois descobriram que mais de 30 artistas também sofriam com a falta de espaço para expor seus trabalhos. Surge então a associação.

“Alugar a loja foi o meio que encontramos para dar visibilidade aos nossos produtos. Mesmo sendo distante do centro de Queimados, esse é o preço que nós podemos pagar”, explica a presidente da associação Neurizete da Silva, conhecida como Beth. Há dois anos morando em Queimados, a capixaba Beth, de 54 anos, trabalha há 15 como artesã.

“Já viajei por todo o Brasil mostrando meu trabalho, quando fazia parte do grupo de artesãos do estado de Espírito Santo. Participei com as minhas peças da principal feira de utilidade doméstica da América Latina (a Utilidade Doméstica, UD, de São Paulo). Hoje ainda não temos sede própria e nos reunimos na casa dos próprios associados”, conta Beth, que sustenta a casa com o seu trabalho, que rende até R$ 500 por mês.

íntegra em Viva Favela
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Prêmio USP de Direitos Humanos

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Prêmio USP de Direitos Humanos
1/7/2009

Agência FAPESP – O Prêmio USP de Direitos Humanos, da Universidade de São Paulo, em sua décima edição, está com inscrições abertas até 30 de setembro.

Os interessados em indicar candidatos podem comparecer à Comissão de Direitos Humanos da USP, no Centro Universitário Maria Antônia (Rua Maria Antônia, 294, Vila Buarque, São Paulo), ou inscrever-se pelo site da Biblioteca Virtual de Direitos Humanos, onde também pode ser encontrado o regulamento.

O Prêmio USP de Direitos Humanos foi criado por resolução em 1999 e visa a homenagear com troféu e diploma, anualmente, pessoas e instituições externas à comunidade acadêmica da USP que, com suas atividades, tenham contribuído significativamente para a difusão e divulgação dos direitos humanos, da paz, da tolerância e da justiça social no Brasil.

O prêmio é atribuído nas modalidades “Individual” e “Institucional”, como reconhecimento a estudos, pesquisas, ações concretas e atividades positivas. A premiação ocorrerá em dezembro, em sessão solene na sala do Conselho Universitário.

Mais informações:
www.rc.unesp.br/cibiodin2008,
direitoshumanos@usp.br
ou 11-3255-5538 / 11-3091-2209
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Na direção da reparação para afrodescendentes 1

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Senado debate reparação para afrodescendente

Na próxima quarta-feira, 8 de julho, às 9 horas, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, em Brasília, começa a audiência pública para decidir sobre o formato de reparação histórica aos afrodescendentes a ser implementada pelo estado brasileiro em função da escravidão de africanos e seus descendentes que durou mais de 350 anos.

Dirigida pelo senador Cristovam Buarque, a audiência pública ouvirá depoimentos sobre escravidão/reparação a fim de, mais à frente, com base nestas declarações, seja produzido um projeto de lei que vai detalhar a forma de reparação histórica aos afrodescendentes.

Estão escalados para depor na audiência:
- Mário Nelson de Carvalho, diretor de Relações Institucionais da Associação dos Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros (Anceabra);
- Ivete Sacramento, reitora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb);
- José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares (Unipalmares), de São Paulo;
- Luciana de Barros Jaccoud, técnica do IPEA;
- Martius Antonio Alves das Chagas, Subsecretário de Políticas Afirmativas da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir);
- Dora Lúcia Bertulio, diretora da Fundação Cultural Palmares e
- Ailton Ferreira, Secretario Municipal de Reparação de Salvador (BA).

A audiência foi uma resultante de um pedido feito ao senador Cristovam Buarque pelo publicitário Roberto de Carvalho, um dos fundadores do Afro-Liberal no Rio de Janeiro. Carvalho encaminhou cópia de uma petição à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), onde, em 2001, ele processava o estado brasileiro pelo crime de escravidão e pedia reparação histórica pelos danos causados à comunidade afro-brasileira.

A direção-executiva da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da OEA, na ocasião, elogiou o procedimento e abriu o processo no. P0363/2001. Em seguida, designou como relator do processo o jurista norte-americano Ariel E. Dulitky. Este encaminhou correspondência ao autor da petição, solicitando mais dados para dar continuidade ao processo, tais como, uma lista de vítimas (com nome, endereço, etc.).

No entanto, naquela ocasião, por estar sem capacidade de articulação, Carvalho não encaminhou os documentos necessários para o andamento do processo e este ficou paralisado.

Agora, com base na audiência pública da próxima quarta-feira, no senado, os debates vão girar em torno da petição de Carvalho, e de forma como se deverá aperfeiçoá-la para torná-la um projeto de lei vigoroso em beneficio da comunidade negra.

Na época, além de políticas de ações afirmativas, monumentos e reconhecimento do crime de escravidão, Carvalho também solicitava a criação de um Fundo Nacional de Reparação, a ser arbitrado pelos juízes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA.

O fundo, na perspectiva de Carvalho, seria gerido por um pool de entidades e personalidades negras. O dinheiro do fundo deveria ser aplicado em políticas educacionais, sociais, de saúde e de fortalecimento de legislação jurídica de proteção ao afrodescendente.

Com os debates da quarta-feira, na Comissão de Direitos Humanos do Senado, com certeza novas propostas deverão ser incorporadas e novos caminhos serão debatidos em função da atual conjuntura.

O gabinete de Cristovam Buarque acredita que a partir da primeira audiência eles deverão receber muitas sugestões vindas de todo o Brasil para fortalecer do projeto de lei de reparação a ser criado.

Na prática, como projeto de lei irá nascer mesmo, o Estatuto da Igualdade Racial, que tramita no congresso, numa iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS), deverá se esvaziar, em função de o projeto de lei de reparação vir com contribuições mais amplas e juridicamente mais consistentes. Além disso, a nova legislação está nascendo com debate público.

Em termos de impacto, dessa vez, provavelmente, o governo federal deverá olhar com mais simpatia para este projeto, pois, praticamente, ele nasce a partir de colaborações públicas de militantes e estudiosos da causa negra.

Os debates no congresso em relação a este projeto de lei deverão atrair militantes da causa negra de outras nações, principalmente das Américas, em função dele assumir este caráter de reparação histórica. Muitas comunidades negras internacionais debatem a reparação, mas ainda não encontraram o caminho jurídico para viabilizá-la.

Recebido de robecarvalho@gmail.com
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