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domingo, 2 de dezembro de 2012

Thereza Santos é homenageada, no Rio

Thereza Santos é homenageada

com o Prêmio Espelho D'Água para quem faz a diferença...

no Rio de Janeiro,
pelo Projeto Oxum Rio Ijexá, de Mãe Iva d'Oxum



O evento teve lugar no CEDIM, no dia 30 de novembro.

A honraria será entregue à Thereza Santos, ainda neste ano de 2012, em data a ser marcada.

Um grupo de militantes já está anotado para a confraternização com Malunga Thereza Santos.

Para se juntar ao grupo, entre em contato pelo e-mail de
Memorial Lélia Gonzalez
ou envie uma mensagem pelo Formulário PRO,
aqui, ao lado direito do Blog.


Para mais Thereza Santos:


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Mandela tem rosto nas novas notas sul-africanas


Mandela: o rosto da tolerância e das novas notas sul-africanas

06/11/2012 16:06 CET



De um lado o rosto Nelson Mandela, do outro a imagem dos cinco grandes do reino animal africano.

São assim, a partir de hoje as notas, de 10, 20, 50, 100 e de 200 rands na África do Sul. Uma homenagem ao primeiro presidente negro do país, hoje com 94 anos.

A governadora do Banco da Reserva foi a primeira a utilizar as notas numa loja em Pretória.

“Gosto, gosto das cores. São cores sul-africanas, são quentes e luminosas” afirma um homem.

“Estamos contentes porque Nelson Mandela nos ajudou e nos ensinou muitas coisas. Gostamos de Mandela e estamos felizes com estas notas” refere uma mulher.

Símbolo de tolerância e da luta anti-apartheid, Mandela disse estar emocionado com esta homenagem.


Extraído de Euronews



Fonte das imagens das notas: Banknotes, ZA

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Adeus a Eduardo de Oliveira, um lutador da igualdade racial

Morre Eduardo de Oliveira, um lutador da igualdade racial

12/07/2012

Morreu na tarde desta quinta-feira (12) Eduardo Ferreira de Oliveira, ex-vereador pelo PDC, em 1958, um dos primeiros militantes negros e tido por todos como o mais aguerrido. Aos 86 anos, diagnosticado com problemas no coração, o professor Eduardo, como era carinhosamente chamado por todos, sofreu uma insuficiência renal por conta de uma arritmia cardíaca. Morre um guerreiro, mas sua luta permanece como um exemplo a ser seguido.




O velório ocorrerá a partir das 22h, desta quinta, no Hall do Plenário Primeiro de Maio, 1º andar, Câmara Municipal de São Paulo, Viaduto Jacareí, 100, Centro. O enterro está marcado para às 15h de sexta-feira (13), no Cemitério da Lapa, o cemitério da Goiabeira - Rua Bérgson, 347, Lapa, São Paulo, SP.

Diversas organizações do movimento negro já emitiram notas de pesar pela morte do militante incansável. “Era o militante do militante do movimento negro mais velho na atualidade. Ele tinha a consciência profunda de quem era os inimigos do Brasil, do povo, e ele tinha foco em sua luta. Ele nos ensinou como lutar. Durante toda a sua vida ele militou e contribuiu para a igualdade racial. É uma perda que vai emocionar todo movimento porque é como um pai de todos nós que vai embora”, declarou emocionado Edson França, presidente da União de Negros e negras pela Igualdade (Unegro).

Edson, que integra o Conselho Nacional da Igualdade Racial ao lado do professor Eduardo de Oliveira, fez questão de mencionar alguns pontos da trajetória dele, como quando compôs o Hino à Negritude, aprovado no Congresso Nacional e aguardando sanção presidencial. Também fundou o Congresso Nacional AfroBrasileiro (CNAB) e um dos responsáveis pela aprovação do Estatuto da Igualdade Racial.

“Como conselheiro da República, enfrentou a todos para a aprovação do estatuto. Encarou olho no olho a todos que já tentaram sufocar a luta do povo negro. Ele defendeu todas as bandeiras de luta negros e negras”, lembrou o dirigente da Unegro.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), a Confederação das Mulheres do Brasil, a Federação árabe Palestina do Brasil (Fepal), e a Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen) também divulgaram notas.

"O movimento negro brasileiro perde hoje, 12 de julho de 2012, um dos seus mais longevos e ilustres militantes, o professor Eduardo de Oliveira. Sem nunca perder a crença de que ainda poderemos viver uma sociedade livre do racismo, o autor do Hino à Negritude nos deixa contribuições importantes como poeta, jornalista, escritor, primeiro vereador negro da cidade de São Paulo, presidente e principal articulador do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB)", diz um trecho da nota da Seppir.

“Sempre foi um lutador e muito lúcido. Ele estava numa lucidez tremenda, apesar da idade avançada. Por isso, não esperávamos essa notícia agora”, comentou Sandra Mariano, da Conem.

Eduardo de Oliveira era viúvo desde 2009 e deixou seis filhos, além de netos e bisnetos. “Um eterno lutador. Essa é a imagem que fica de alguém que lutou a vida inteira para combater a discriminação racial não somente no Brasil, mas no mundo”, declarou José Francisco Ferreira de Oliveira, 54 anos, filho do professor Eduardo. Ele também lembrou da importância que seu pai teve na inserção da discussão racial dentro dos partidos políticos. Atualmente, militava no Partido Pátria Livre.

Eduardo de Oliveira também escreveu livros como "Quem é quem na negritude brasileira (registro salutar sobre personalidades negras da nossa história)" e poesias. Em uma delas, intitulada Banzo, disse:

"Eu sei, eu sei que sou um pedaço d'África
pendurado na noite do meu povo.
Eu sinto a mesma angústia, o mesmo banzo
que encheram, tristes, os mares de outros séculos,
por isto é que ainda escuto o som do jongo
que fazia dançar os mil mocambos...
e que ainda hoje percutem nestas plagas."


Deborah Moreira
Da redação do Vermelho

Para mais:
Alguma poesia - BMusic

Memória e história na poesia de Eduardo de Oliveira: reescrever-se no corpo do tempo em As gestas líricas da negritude, por Giovanna Soalheiro Pinheiro - ufmg.br/literafro



Eduardo de Oliveira canta o Hino à Negritude, de sua autoria.




segunda-feira, 2 de julho de 2012

Brasileira Nhá Chica vai ser beatificada

Brasileira Nhá Chica vai ser beatificada

Decreto aprovado pelo papa Bento XVI reconhece milagre realizado pela religiosa mineira

28 de junho de 2012 - O Estado de S.Paulo

O papa Bento XVI aprovou na quinta-feira, 28, a publicação do decreto que permitirá a beatificação da brasileira Francisca de Paula de Jesus, conhecida como Nhá Chica. A data ainda não foi definida.

Houve festa na quinta-feira na cidade mineira de Baependi, a 390 quilômetros de Belo Horizonte, onde Nhá Chica viveu. O decreto reconhece o milagre recebido por Ana Lúcia Meirelles por intercessão da futura beata. Ana Lúcia manifestou sua emoção em entrevista à Rádio Vaticana. Ela tinha hipertensão pulmonar e um defeito congênito no coração.

Nhá Chica era filha e neta de escravos. Ficou órfã aos 10 anos. Já em vida era conhecida como "mãe dos pobres", pois dedicava-se assiduamente à caridade. Construiu uma capela à Nossa Senhora da Conceição - hoje um santuário -, onde seu corpo está enterrado.

O papa também aprovou decretos que tornam mais próxima a beatificação de outros fiéis. Dois decretos, por exemplo, atestam a prática em grau heroico das virtudes cristãs pelo bispo espanhol d. Álvaro del Portillo (primeiro sucessor de São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei) e pelo bispo americano d. Fulton Sheen, conhecido por seus escritos sobre a religião católica.



Para mais: Memorial Lélia Gonzalez Informa
 - Nhá Chica: escrava brasileira beatificada

sábado, 17 de setembro de 2011

CCR - CUT-RJ entrega Diploma Lélia Gonzalez 2011


Diploma Lélia Gonzalez: "As mulheres negras como primeiras da fila"
sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Em evento marcado por forte emoção, a CUT-RJ entregou ontem (13 de setembro), no auditório da central, o diploma Lélia Gonzalez, segunda edição de uma homenagem da central às mulheres negras com papel destacado na luta em defesa da classe trabalhadora e contra discriminação racial.

Na abertura dos trabalhos, a secretária do Combate ao Racismo da CUT-RJ, Glórya Ramos, lembrou a luta histórica da mulher negra para criar filhos, trabalhar, se formar e lutar pela emancipação e pelo empoderamento no Brasil e no mundo, enfatizando o papel de Lélia Gonzalez na demarcação dos interesses específicos da mulher negra no âmbito da luta feminista.


O ex-deputado federal Carlos Alberto Caó, autor da lei que estabelece punição severa para crimes de racismo, compareceu à aitividade, que foi precedida por uma reunião do Coletivo de Combate ao Racismo da CUT-RJ. Marcaram presença também a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RJ, Virgínia Berriel, a secretária da Juventude, Greice Assis, o secretário de Relação de Trabalho, Marcello Azevedo, e o diretor Jadir Baptista, que fez uma saudação em nome da direção da central.

Este ano as premiadas com  o diploma Lélia Gonazalez foram Delfina de Souza (que não pôde comparecer e foi representada por Leila Santos, do Sindpd-RJ); Ilma de Souza, que agradeceu a Deus e a seus familiares, "especialmente a meu filho e a todos os afrodescendentes por eu ter chegado até aqui; "Edna Sacramento (agraciada pela segunda vez), do Sinttel, que fez um relato de sua trajetória de lutas partir da constatação de que é como portadora de LER (Lesão por Esforços Repetitivos); Selma Balbino (também premiada de novo), presidente do Sindicato dos Aeronautas, que denunciou preconcento racial por parte de integrante de sua própria categoria, quando manifestou a intenção de se lançar candidata a presidente de sua entidade; e Luiza Dantas, do Sintsaúde, que fechou seu discurso, como última premiada da noite, de uma forma que tocou a todos:

- Como mulher negra, que passou por tantas dificuldades na vida, cansada de ser a última da fila, hoje eu faço a minha própria fila: "Sempre que estou com sede, na rua, a minha preferência para comprar uma água mineral, por exemplo, é por uma vendedora ambulante negra. Eu formo a minha própria fila. E as mulheres negras estão em primeiro lugar na minha fila - proclamou Luiza.

Fonte: site da CUT Rio de Janeiro, em 14/09/2011.

Extraído de Articulando Educadores

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Abdias Nascimento - algumas homenagens

Abdias Nascimento - algumas homenagens



A 1ª Especializada em
Cultura Afro-brasileira e Africana
no Subúrbio Ferroviário de Salvador- Bahia

uma iniciativa do
Instituto Ylê Axé – Casa de Cultura e Arte Negra



* * * * * * * * * * * *


La Palabra faz homenagem "al gran Abdias Nascimento"

Revista “La Palabra”
Universidad del Valle
Santiago de Cáli
Colombia

Recebido do Jornalista Francisco Maciel,
a quem muito agradecemos.

domingo, 27 de março de 2011

Neusa Santos Souza: um Encontro; uma Homenagem

Neusa Santos Souza: um Encontro; uma Homenagem

por Marco Aurélio Luz*

Especial para Memorial Lélia Gonzalez Informa


Quem tiver ocasião de ler o importante livro de Neusa Santos Souza, “Tornar-se Negro”, verá que nos agradecimentos mereço o registro de meu nome juntamente com outras amizades da autora. Foi no mês de dezembro, em 2008, que ela se despediu deixando todos os seus amigos e admiradores surpresos e com enorme saudade.

Só agora, com a poeira de emoções mais assentadas, venho a público dar o meu testemunho de nosso surpreendente encontro; coisas do destino...

Lá pelos fins da década de 1970, fui convidado por meu amigo Chaim (1), hoje psicanalista, a substituí-lo numa palestra nas cercanias do Hospital Pinel no Rio de Janeiro, para falar sobre aspectos da obra de Michel Foucault, especialmente o livro “Doença Mental e Psicologia”, recém lançado no Brasil pela Tempo Brasileiro. Naquela época eu já era conhecido naquela ambiência, por minhas participações no tema de análise institucional com Georges Lapassade, inclusive pela co-autoria num livro sobre Umbanda e ainda um filme curta metragem com os, então, estudantes Roberto Moura e Murilo Salles. Para tanto, freqüentamos os terreiros no morro Dona Marta; na Rocinha e fazíamos comparações com os “centros” (2) do “asfalto”. Porém, naquela ocasião do encontro com Neusa, já freqüentava terreiros de culto aos egungun e aos orixás, na Bahia e no Rio de Janeiro. Já era conhecido também num movimento negro nascente onde aconteceu minha participação nas Semanas Afro Brasileiras no MAM RJ em 1974, com atividades em torno do acervo de arte sacra negra de Mestre Didi que encerrava o ciclo de um périplo por países da África, Europa e América do Sul e que contribuíram para ampliar a atuação do CEAA (3) e com a fundação do IPCN (4) no Rio de Janeiro, dentre outros desdobramentos.

Enfim quando encerrei aquela palestra, Neusa se aproximou e se apresentou, falando de seu trabalho sobre identidade negra e se eu poderia trocar umas idéias com ela: ela da área de Psiquiatria e eu de Comunicação.

Coloquei-me à disposição e perguntei onde ela morava. Foi então que começaram as coincidências: nós morávamos no mesmo prédio, com alguns andares de diferença, e não sabíamos. Então, combinamos de nos encontrar num dia, em casa.

No nosso encontro, inicialmente cheio de cordialidades, ela disse ser baiana de Cachoeira, cidade de pujantes tradições culturais afro-brasileiras. Aí eu me senti mais à vontade prá puxar a conversa prá esse lado, falando de identidade articulada e formada pelos valores e pelas linguagens das tradições: o rico legado civilizatório ancestral.

Conversa vai, conversa vem e ela revela ser neta do Sr. Arsênio dos Santos.

Fiquei arrepiado e ainda hoje fico.

Desde que cheguei ao culto de Baba Egun ouvia falar com muito respeito do grande sacerdote, seu “Paizinho Alaba” como era conhecido o herdeiro dos mais significativos legados do culto. Seu tio Marcos Alapini e seu tio avô Marcos o Velho, foram responsáveis, numa viagem ao reino yoruba de trazerem os mais significativos Baba Egun para realizarem a reposição dessa tradição no Brasil, num povoado de africanos chamado Tuntun, na ilha de Itaparica.

Além disso, Mestre Didi tinha sido iniciado “ojé”, sacerdote do culto, por Marcos Alapini e depois por Paizinho, o Sr. Arsênio Ferreira dos Santos (avô de Neusa).

Além disso, por ser neta de Paizinho Alaba, ela pertencia a uma distinta linhagem da tradição com personalidades que ocuparam e ocupam altos títulos sacerdotais.

Então, naquele encontro, Neusa me contou que, no entanto, a família dela manteve-se relativamente afastada dessa tradição. Ainda mais ela que foi estudar na universidade, e depois se mudou de cidade, indo para o Rio de Janeiro.

Enfim outras passagens há para contar, mas prefiro dizer que seu livro “Tornar-se Negro” marca uma reflexão das mais importantes sobre a trajetória da afirmação dos afro-descendentes no contexto nacional.

__________

Sobre “Tornar-se Negro”
2ª edição, Graal, RJ, 1990


O livro fala daqueles que trilham o “caminho do branco” e vivenciam o que Eldridge Cleaver chamou de “Alma no Exílio”.

Diz Neusa na introdução sobre seu livro:

“Ele é um olhar que se volta em direção à experiência de ser-se negro numa sociedade branca. De classe e ideologias dominantes brancas. De estética e comportamentos brancos. De exigências e expectativas brancas. Este olhar se detém, particularmente, sobre a experiência emocional do negro que, vivendo nessa sociedade, responde positivamente ao apelo da ascensão social, o que implica na decisiva conquista de valores, status e prerrogativas brancos.”

E acrescenta:

“O negro que se empenha na conquista da ascensão social paga o preço do massacre mais ou menos dramático de sua identidade. Afastado de seus valores originais, representados fundamentalmente por sua herança religiosa, o negro tomou o branco como modelo de identificação, como única possibilidade de “tornar-se gente”.

E ainda:

“Este livro trata desse contingente de negros, no que diz respeito ao custo emocional da sujeição, negação e massacre de sua identidade original, de sua identidade histórico-existencial.”

A originalidade de seu trabalho foi a de ter compartilhado a problemática das tentativas de articulação do materialismo histórico com a psicanálise aplicada à trama afetiva dos comportamentos sociais relativos à especificidade da trajetória de mobilidade social do “segmento negro” no Rio de Janeiro.

A articulação da Teoria das Ideologias (Althusser) com a Psicanálise (Lacan) possibilita uma leitura profunda dos depoimentos de experiências de vida de mulheres e homens negros que vivenciam a introjeção do preconceito gerado pelo imaginário ideológico racista que sobredetermina o interelacionamento social nesse contexto.

No que se refere então a esse contexto histórico, o ponto de partida é a ideologia do racismo institucional em que a razão de Estado através dos aparelhos ideológicos promove a rejeição da identidade original dos afrodescendentes baseada na cultura, instituições, valores e linguagem que constituem o processo civilizatório afro-brasileiro. Esse processo não navega em águas tranquilas, mas enfrenta e caminha em meio às políticas neo-colonialistas da herança européia.

No que se refere à Psicanálise acontece na interpretação dos depoimentos, muita vez, a constituição do Ego Ideal em detrimento do Ideal de Ego. O Eu imaginário e inalcançável do “padrão branco” toma lugar do Eu simbólico, das linguagens e valores da ancestralidade afro-brasileira.

“O Ideal de Ego não se confunde com o Ego Ideal.”

O Ego Ideal, instância regida pelo signo da onipotência e marcada pelo registro imaginário, caracteriza-se pela idealização maciça e pelo predomínio das representações fantasmáticas.

O Ideal do Ego é do domínio do simbólico. Simbólico quer dizer articulação e vínculo. Simbólico é o registro ao qual pertencem a Ordem Simbólica e a Lei que fundamenta esta ordem. O Ideal do Ego é portanto, a instância que estrutura o sujeito psíquico, vinculando-o a Lei e a Ordem. É o lugar do discurso.”

No caminhar pelas instituições do “mundo branco” o Super Ego atua introjetando o racismo, promovendo a rejeição da identidade original e plausível, ou seja, a identificação com seu contínuo civilizatório próprio e seus ancestrais ilustres no decorrer da história para substituí-la pelo Ego Ideal do fascínio da identidade e imagem do branco alimentado muitas vezes pelo núcleo familiar, pela indústria cultural, pelo sistema de ensino, pelas igrejas e demais aparelhos de Estado neocolonial republicano.

É a trama pulsante e pungente entre o Ideal de Ego, o Super Ego e o Ego Ideal que constitui o âmago do trabalho de Neusa, incrementado pelos comoventes relatos e depoimentos.

O valor especial do trabalho é que ele revela que as relações sociais estão envolvidas por emoção e afeto e que podem concorrer para corroer a possibilidade de afirmação de identidade plena.

“Esta ferida narcísica e os modos de lidar com ela constituem a psicopatologia do negro brasileiro em ascensão social e tem como dado nuclear uma relação de tensão contínua entre Super Ego atual e Ideal de Ego.”

E ainda:

“A possibilidade de construir uma identidade negra - tarefa eminentemente política – exige como condição imprescindível, a contestação do modelo advindo das figuras primeiras - pais ou substitutos - que lhe ensinam a ser uma caricatura do branco. Rompendo com este modelo, o negro organiza as condições que lhe permitirão ter um rosto próprio”.

Neusa formou-se em Medicina e se tornou psicanalista de orientação lacaniana e foi uma escritora de textos que a tornaram clássica, como o pequenino e denso artigo adiante, a propósito das comemorações em torno dos 120 anos de abolição da escravatura no Brasil.

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Ouvindo a própria voz de Neusa


Contra o Racismo: Com Muito Orgulho e Amor (5)
Neusa Santos Souza - em 13 de maio de 2008

Comemoramos hoje 120 anos de abolição da escravatura negra no Brasil. Abolição da escravidão quer dizer aqui fim de um sistema cruel e injusto que trata os negros como coisa, objeto de compra e venda, negócio lucrativo para servir à ambição sem fim dos poderosos. Abolição da escravatura quer dizer aqui fim da humilhação, do desrespeito, da injustiça. Abolição da escravatura quer dizer libertação.

Mas será que acabamos mesmo com a injustiça, com a humilhação e com o desrespeito com que o conjunto da sociedade brasileira ainda nos trata? Será que acabamos com a falta de amor-próprio que nos foi transmitido desde muito cedo nas nossas vidas? Será que já nos libertamos do sentimento de que somos menores, cidadãos de segunda categoria? Será que gostamos mesmo da nossa pele, do nosso cabelo, do nosso nariz, da nossa boca, do nosso corpo, do nosso jeito de ser? Será que nesses 120 de abolição conquistamos o direito de entrar e sair dos lugares como qualquer cidadão digno que somos? Ou estamos quase sempre preocupados com o olhar de desconfiança e reprovação que vem dos outros?

Cento e vinte anos de abolição quer dizer 120 de luta dos negros que, no Brasil, dia a dia, convivem com o preconceito e a discriminação racial. 120 de abolição quer dizer 120 de luta contra o racismo desse país que é nosso e que ajudamos a construir: não só com o trabalho, mas, sobretudo, com a cultura transmitida por nossos ancestrais e transformada e enriquecida por cada um de nós. 120 de abolição quer dizer 120 anos de luta contra todos os setores da sociedade e da vida cotidiana: nos espaços públicos e nos espaços privados; na Câmara, no Senado, nos sindicatos, no local de trabalho, nas escolas, nas universidades, no campo, na praça e em nossas casas. 120 de abolição quer dizer 120 de luta contra qualquer lugar em que houver um negro que ainda sofra preconceito e discriminação raciais. Nesses 120 anos, tivemos muitas vitórias, conquistamos muitas coisas, especialmente um amor por nós mesmos, uma alegria, um orgulho de sermos o que somos: brasileiros negros – negros de muitos tons de cor de pele, efeito da mistura, que é uma bela marca da sociedade brasileira.

Nesses 120 anos tivemos muitas conquistas e temos muito mais a conquistar. Nesses 120 anos vencemos muitas batalhas e temos muito mais a batalhar.

Nesses 120 anos comemoramos muitas vitórias e temos muito mais a comemorar.

A escravidão acabou, mas a nossa luta continua!


__________

* Marco Aurélio Luz é Filósofo; Doutor em Comunicação; Pós-Doutor em Ciências Sociais Paris V-Sorbonne – CEAQ -Centre d’Etudes sur L’actuel du Quotidien. Autor de diversos artigos e livros em destaque: Agadá: dinâmica da civilização africano-brasileira; Do tronco ao Opa Exin: memória da tradição afro-brasileira; Cultura negra em tempos pós-modernos. Escultor de imagens da temática arte sacra afro-brasileira.
__________

Notas:

(1) Chaim Samuel Katz é psicanalista; Membro da “Formação Freudiana”; Doutor em Comunicação pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
(2) Centros de Umbanda
(3) Centro de Estudos Afro-Asiáticos, da Universidade Candido Mendes, Rio de Janeiro.
(4) Instituto de Pesquisas das Culturas Negras
(5) Especial para o Correio da Baixada, em 13 de maio de 2008. Disponível em Correio do Brasil
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Para mais sobre Neusa Santos Souza, ver página neste Memorial Lélia Gonzalez Informa



Marco Aurélio Luz com Lélia Gonzalez, Rio de Janeiro, 1988

Para mais Marco Aurélio Luz



sábado, 15 de janeiro de 2011

Nhá Chica - escrava brasileira beatificada

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Nhá Chica - escrava brasileira beatificada


As virtudes heroicas da brasileira Serva de Deus Francisca de Paula de Jesus, conhecida como "Nhá Chica", foram reconhecidas pelo Papa na manhã desta sexta-feira, 14 de janeiro de 2011.

O reconhecimento faz parte da lista de decretos assinados por Bento XVI, que recebeu em audiência o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato.

A leiga nasceu em São João del Rei (MG), em 1810, e faleceu em Baependi (MG), em 14 de junho de 1895.


Quem foi Nhá Chica

Descendente de escrava, analfabeta e leiga, ... a primeira Santa nascida no Brasil. Como não existe registro civil de sua data de nascimento, seu Batistério, preservado no Memorial em Baependi (MG), sob a tutela das Irmãs Franciscanas do Senhor há mais de meio século, tornou-se um documento fundamental.

O Batismo é também o fundamento de toda a vida cristã, a porta da vida no Espírito e também a porta de acesso aos demais sacramentos que visam conduzir a vida de uma pessoa à santidade, o que encontrou em Nhá Chica um bom termo. Portanto, o bicentenário de seu Batismo uma data especial.

Anotado por MLG, com algumas alterações a partir de Canção Nova



Nhá Chica: selo personalizado marca 200 anos da Serva de Deus

Leonardo Meira Da Redação, com Associação Beneficente Nhá Chica (MG) Quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010, 14h48 Diocese de Campanha (MG)
Selo que comemora os 200 anos de Nhá Chica

As comemorações dos 200 anos do Batismo da Serva de Deus Francisca de Paula de Jesus, mais conhecida como Nhá Chica, incluem o lançamento de um selo personalizado, que será acompanhado de um carimbo comemorativo.

Ambos estarão disponíveis para colecionadores, mas também poderão ser usados em agências dos Correios. A cerimônia de lançamento está marcada para sexta-feira, 26, às 14h, na sede da Associação Beneficente Nhá Chic (ABNC).

Para o lançamento do selo personalizado, estarão presentes diversas autoridades civis e eclesiásticas, entre bispos, padres, ministros, deputados, secretários de Estado, além de prefeitos e vereadores de toda a região, bem como os benfeitores e colaboradores da ABNC. Também participarão do evento as crianças do Coral Nhá Chica.

Após o lançamento do selo, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT) poderá também lançar o mesmo selo como comemorativo e distribuí-lo em todo o país.

"O carimbo comemorativo será usado por trinta dias na agência dos Correios de Baependi (MG), em todas as correspondências enviadas. Depois ficará por três meses no Rio de Janeiro, para uso de filatelistas de todo o Brasil", destaca a gerente da agência dos Correios em Baependi, Sandra Rosental.

O lançamento de peças filatélicas comemorativas e personalizadas é tradição no mundo todo e no Brasil, sendo voltada para divulgar instituições e/ou pessoas que tenham relevância para a história nacional, como é o caso da Serva de Deus Nhá Chica.

Esta é apenas uma entre tantas ações que serão realizadas neste ano.

Anotado por MLG, com algumas alterações a partir de Canção Nova

Para mais:
"NHÁ CHICA", Francisca Paula de Jesus
Quadro entalhado na madeira
Escultor: Rogério Rocha
Exposição MEU SANTO PROTETOR
Centro Cultural da Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ
Foto de José Antônio de Ávila


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Rubens Barbot e Ensaio de Cinema

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Rubens Barbot - Ensaio de Cinema - Prêmios


Neste final de ano (2010) numa apresentação de 40 + 20, no Teatro Renascença, em Porto Alegre (RS), em uma noite com lotação esgotada, o espetáculo foi aplaudido de pé por longos minutos.


Era uma apresentação na cidade onde a história de Barbot começou. E onde, após 15 anos, a Companhia voltou a se apresentar.

Ao final, representantes da Comunidade Negra da cidade de Venâncio Aires (RS) homenagearam Rubens Barbot e Gatto Larsen pelo trabalho desenvolvido naquela cidade durante o ano de 1988 com resultados maravilhosos.

Hoje, 22 anos depois, há na comunidade vários grupos negros de teatro, fazendo montagens de espetáculos; um grupo de cineastas que fazem cinema independente e agitam culturalmente a cidade e município.

Ao mesmo tempo, ficamos sabendo que o Filme Ensaio de Cinema ganhou mais cinco prêmios nos festivais em que participou.






Por tudo isso, mesmo com um incêndio que assustou a todos/as, o ano 2010 foi um bom ano e esperamos um 2011 melhor, ainda. E melhor ainda é poder compartir como amigos/as e seguidores/as.







A seguir a lista de prêmios do filme:
  • Prêmio Cacho Pallero - 38º Festival de Huesca – Espanha
  • 20º Cine Ceará:
Melhor Filme 35mm
Prêmio da Crítica
Melhor Roteiro
Melhor Ator
  • Melhor Filme (Grande Prêmio) – 20º Festival Curta Cinema – RJ
  • 14º Festival Cine - PE:
Melhor Direção
Prêmio ABD
  • Melhor Filme Digital - 42º Festival de Brasília
  • 3º Festival Iguacine:
Melhor Filme
Direção
  • VI Fest Aruanda - PB:
Melhor Ficção
Melhor Direção
Melhor Ator
  • Melhor Ficção Digital - 16º Vitória Cine Vídeo
  • 21º Festival Internacional de Curtas de SP:
Troféu ABD-SP
Troféu Luiz Orlando da Silva (CESISP)
Prêmio Cachaça Cinema Clube
  • IV For Rainbow - Ceará:
Melhor Curta
Melhor Ator
  • 5º Festival de Atibaia - SP:
Melhor Direção
Melhor Roteiro
Melhor Ator

  • Melhor Fotografia - 12a Mostra de Londrina
  • Menção Honrosa – Festival Iberoamericano Cinesul 2010
  • Melhor cenografia - I Festival de Petrópolis - RJ
  • Melhor Ficção - Troféu Marcelo Grassmann - SP




Gatto Larsen
Jorge Anibal Etchemendi

Recebido em: quinta-feira, 16 de dezembro de 2010 12:31
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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

MS - 20 de novembro é feriado estadual

Assembleia promulga lei que institui feriado estadual dia 20 de novembro
Notícias MS
Seg, 06 de Setembro de 2010

Campo Grande (MS) - Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso do Sul institui, como feriado estadual o dia 20 de novembro, data em que é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra.

A lei de número 3.958/2010 foi publicada no Diário Oficial do Estado de quarta-feira (1º de setembro de 2010).

O projeto de lei (043/2010) foi aprovado pelos parlamentares, no dia 04 de maio de 2010.

Segundo informação da Assembleia Legislativa, a data já é feriado em 400 cidades e dois estados brasileiros, Mato Grosso e Rio de Janeiro.

O 20 de novembro é celebrado, no País, em prol a morte de Zumbi dos Palmares, herói negro que se imortabilizou pela luta de libertação dos negros escravizados. Portanto, a data é considerada, pelas lideranças do movimento negro do Estado, como de grande relevância histórica.

Dia de reflexão

Na opinião do presidente do Instituto Casa da Cultura Afro-Brasileira de Mato Grosso do Sul (Iccab), Antônio Borges dos Santos (foto), também coordenador do Fórum Permanente das Entidades do Movimento Negro do Estado (Fpemn/MS), a aprovação do documento na Assembleia Legislativa, significa um avanço histórico para população negra do Estado. “O 20 de novembro é um dia de reflexão, de lutas e conquistas. O feriado, não será apenas um dia de folga, e sim, um marco histórico em prol de um herói nacional – Zumbi dos Palmares”, disse Antônio Borges.

Extraído de Jornaldiadia

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Nossa Gente, Axé! Temos Ministra: Luiza Bairros!

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* Esta postagem está em atualização periódica. *


Cobertura da coletiva de ontem (21 de dezembro de 2010): A Tarde, TV Itapoan, TV Bahia, TV Aratu, Band News, Rede Globo, TVE, Programa Bahia No Ar, Tribuna da Bahia, G1em São Paulo.


Luiza quer cotistas mais tempo na universidade

Quando recebeu pessoalmente da presidente eleita Dilma Rousseff o convite para assumir a Secretaria de Igualdade Racial (Seppir), que tem caráter de ministério, Luiza Bairros confessa: estava com as mãos tremendo de nervosismo. Mas ao falar de seus planos para a pasta, sua voz firme e segura explica quais experiências e planos pretende para levar para aplicar em nível nacional. Entre eles estão ações para aumentar a permanência de alunos cotistas nas universidades e formas de oferecer maior acessibilidade à população quilombola. Cotas: "Sem dúvida alguma é a política pública recente que provocou impactos mais significativos na vida das pessoas e famílias negras", ressalta Bairros ao falar sobre o sistema de cotas para afrodescendentes nas universidades. A secretária comemora que já haja "um caminho andado" neste aspecto, mas considera que não é suficiente."O desafio daqui para frente é a questão da permanência desses estudantes na universidade”.

Ler mais na versão impressa do Jornal A Tarde, de 22/12/2010, Editoria de Política.

Fonte: Recebido de SEPROMI - Resumo Diário 22/12/2010
Assessoria de Comunicacao Ascom

* * * * * *

Em segunda-feira, 20/12/2010 23:22,
Memorial Lélia Gonzalez circulou o Informativo:


Nossa Gente, Axé! Temos Ministra: Luiza Bairros!

Com certeza estamos em alegria por mais Mulheres Ministras na Gestão Dilma Rousseff...

... e nossa plena satisfação está no nome de Luiza Bairros para a SEPPIR.

Luiza tem mostrado sua garra desde há muito: Socióloga, gaúcha, há décadas na luta pelas Mulheres, pelos Negros, pelas Mulheres Negras, com reconhecimento nacional e internacional.

Luiza Bairros é a titular da Secretaria de Promoção da Igualdade do Estado da Bahia (SEPROMI), onde tem demonstrado em ações e atuações sua atenção à Promoção da Igualdade, incluindo o reconhecimento às contribuições de personalidades lutadoras, como é o caso da escritora Cidinha da Silva que teve a epígrafe de seu livro “Cada Tridente em seu Lugar” (Mazza Edições) como mote de Campanha Novembro Negro, da SEPROMI 2010.

Memorial Lélia Gonzalez não quis tratar do nome de Luiza Bairros como uma “indicação”, apesar de estarmos às alegrias desde as primeiras notas na imprensa oficial e nas mídias alternativas.

Agora, depois do anúncio, depois da anunciação, vamos comemorar ostensivamente, “gargalhadamente”, com “risada de corpo inteiro”(*) como faria sua amiga Lélia Gonzalez ou como bem está fazendo, observando que está, do Orun.

Axé Luiza!
Como em “Novembro Negro”, estamos no Caminho.

Axé Sua Excelência Ministra Luiza Bairros!
Desejamos Caminho de Luzes com Luzes no Caminho!

foto MLG


(*) Luiza Bairros em “Lembrando Lélia Gonzalez” (2000)
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Presidenta Dilma Rousseff dá posse à Ministra Luiza Bairros
Foto Agência Brasil, incluída nesta postagem em 02-jan.2011



Luiza Bairros recebe o cargo de Ministra da SEPPIR
Foto Agência Brasil, em 03-jan.2011

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Campanha Autoestima Racial - RS

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Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

Campanha Autoestima Racial
Rede Afrogaucha de Profissionais do Direito e TV Record

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Lima Barreto: o que os racistas fizeram com ele?

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Lima Barreto, Disfarçadíssimo
Da ditadura do silêncio à “lista negra”

Por Alberto Dines em 7/9/2010


Capa raffinée, ilustrações idem, ao todo cinco páginas com textos de alto quilate. Tudo superlativo, comme il faut, no novo suplemento literário da Folha de S.Paulo (domingo, 5/9).

Mulato, pobre, morador de subúrbio carioca, funcionário público de terceira categoria, jornalista, escritor, bêbado, psicótico, solitário, amargo, intenso, inconformado, Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) está de volta.

Em grande estilo: O Triste Fim de Policarpo Quaresma tem agora versão teatral, os contos serão republicados na íntegra, devidamente reavaliados e contextualizados. E a sua exemplar biografia, paradigma do gênero, agora em 8ª edição (as sete anteriores minuciosamente atualizadas pelo autor) está disponível nas livrarias. Assim como seu diário e as memórias do hospício.

Ao vivo

Marginalizado, banido e embargado a partir da sua estréia em Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Lima Barreto não é apenas um dos símbolos dos preconceitos que dominavam nossa sociedade e os salões literários. É talvez a primeira vítima daquilo que ele próprio designou como "ditadura do silêncio".

Graças a esta ditadura o escritor foi levado à condição de freqüentador assíduo tanto da história literária do século 20 como da história do nosso jornalismo. Num caso como gênio incompreendido, no outro como o primeiro sacrificado por uma das mais abomináveis e duradouras práticas das nossas redações: a "lista negra", o Index dos Nomes Proibidos, repertório dos não-existentes, vivos ou mortos.

O nome de Lima Barreto ficou quase 50 anos banido das páginas do liberalíssimo Correio da Manhã porque Isaías Caminha passava-se na redação de um poderoso matutino facilmente identificável e o seu fundador, Edmundo Bittencourt, era um dos protagonistas, embora disfarçado por um pseudônimo. O destemido Paulo Bittencourt que enfrentou tantas ditaduras manteve o embargo contra o literato que denegriu o pai.

Por coterie, reciprocidade corporativa, espírito de panelinha, o resto da imprensa aliou-se ao Correio e ignorou a obra que o editor ingenuamente apresentara como "livro de intriga jornalística fluminense".

"Os demais jornais também receberam de pé atrás o livro inconveniente e atrevido onde tantas figuras respeitáveis – algumas delas, diga-se de passagem, falsamente ilustres e falsamente respeitáveis – eram retratadas ao vivo, quase sem nenhum disfarce", constatou o magistral biógrafo, Francisco de Assis Barbosa (pág. 194)

Nome aos bois

Lima Barreto poderia ter escolhido outro livro para estrear, tinha pelo menos outros dois na gaveta. Preferiu algo novo, agressivo, um romance diferente dos cânones, capaz de abrir-lhe as portas da fama.

Fecharam-se na mesma hora. Ficou com fama de maldito, raivoso, que o preconceito racial tornou irremediável. Conseguiu publicar outros três romances, contos, sátiras. Não foi longe: a ditadura do silêncio acabou com ele, levou-o ao álcool e este aos delírios.

Nos inspirados textos do caderno "Ilustríssima" (5/9) menciona-se o castigo imposto, mas não os motivos da punição. O triste fim de Lima Barreto fica parecendo obra de deuses vingativos, do perverso destino e não de seus humaníssimos contemporâneos, companheiros de profissão. A Folha tem o dom de contar histórias sem dar nome aos bois. É uma arte. Mãe extremada, transmite sua expertise a todos os rebentos.

O leitor que se dane.

***

A Vida de Lima Barreto, de Francisco de Assis Barbosa (José Olympio, 2002); Policarpo Quaresma, direção de Antunes Filho (SESC Consolação, até 31/10); Contos Completos de Lima Barreto (Companhia das Letras), Diário do Hospício e O Cemitério dos Vivos, prefácio de Alfredo Bosi (Cosac Naify).

O caso de Lima Barreto é fartamente mencionado na História da Imprensa no Brasil, de Nelson Werneck Sodré, e na biografia Santos Dumont, do jornalista Gondin da Fonseca (Editora Vecchi, 1940), outro maldito que ousou revelar que o Pai da Aviação cometeu suicídio.

Para ler também

O Correio da Manhã cada vez mais longe — Alberto Dines (4/11/2003)

Estraído de Observatório da Imprensa
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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Novo romance sobre a Rainha Nzinga

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Reeditado romance sobre a Rainha Nzinga em Paris

Historia de Angola Norte-americana reedita romance sobre a Rainha Nzinga, em Paris

A referida obra intitulada “Nzingha, Princesa Africana” da autoria da afro-americana Patricia C. McKissack, acaba, portanto, de ser republicada, na sua versão francesa, nas edições Gallimard, na sua coleção Juventude.

Este novo lançamento intervém, alguns dias apos a realização, em Roma, na Itália, de um Colóquio Internacional sobre a Dupla Soberana.

Estalando-se sobre uma centena de paginas e traduzida do original “Nzingha: Warrior Queen of Matamba” pela Marie Saint-Dizier, este “livrinho” tem a particularidade de colocar a trama da reconstituição romanesca sobre a princesa de Kabasa, sobre dois anos, de 1595 a 1596, período, crucial, da adolescência da futura soberana de Ndongo e Matamba.

A ilustração da capa da obra propõe um novo pseudo-retrato da filha de Ngola Mbandi; este, visivelmente, afro-americanizado pelo desenhador francês Henri Galeron, sob um fundo, tramado, resultando de um tecido de rafia, fotogrado pelo italiano Berezzi.


A autora desenvolve a história da, já, temerária “jaga” por pequenos capítulos, permitindo, assim, uma leitura agradável e africana do romance, com uma evolução cronológica ligada a “mbangala”, a estação seca, a das ervas queimadas, e a plena lua .

Escrito sob a forma de um Jornal intimo, sob a pena da jovem princesa, o livro da conta da sua visão da situação política do seu pais e das territórios vizinhos, uma dezena de anos apos a ocupação pelos Portugueses, de uma parte do Reino e a criação, subsequente, forcada, sobre esta terra, da Colônia de Angola, donde partira a expansão mercantilista lusitaniana das regiões oeste da África Central.

Encontram-se detalhes sobre vários aspectos da vida da adolescente tais como os relativos às relações com o seu pai, o Kiluanji, o estado do seu relacionamento com os outros membros da sua família, a sua sede do saber, a sua formação ao domínio dos provérbios, a sua aprendizagem a ajustar flechas, o seu conhecimento das plantas curativas, as consultas de previsão do seu futuro político, as suas primeiras preferências amorosas, a sua concepção da resistência e a atenção acordada a defesa militar do Ndongo.

Auto-Estima

Aprende-se, igualmente, a sua clarividência política, as suas reservas sobre o Padre italiano Cavazzi, a sua apreciação sobre a nocividade das intrigas políticas, a sua franqueza precoce, a sua forte corpulência física, a sua coragem individual, a sua inserção no sistema de segurança do Reino e a sua aversão das campanhas de captura de escravos destinados a exportação.

Em suma, Patricia C. McKissack, originária de Nashville, no Tennessee, genitora de um outro best-seller, “Sou uma escrava” partilha “O Jornal” da adolescente do vale do Kwanza, no exercício de alta reapropriação histórica, de enriquecimento cultural e de auto-estima.

O mérito da reedição deste “livrinho” e, eminentemente, pedagógico, porque permite aos jovens francófonos do mundo de descobrir as condições de formação da extraordinária personalidade de Nzingha-Nzingha.

Esta obra deve, naturalmente, ser traduzida em português, para os jovens angolanos e não só, na senda das pertinentes recomendações do Colóquio Internacional sobre a Rainha, que teve lugar em Roma, na Itália, recentemente.

Esta republicação, numa coleção, reagrupando figuras de princesas tão prestigiosas que Marie-Antoinette, a austríaca de Versailles ou Cleópatra, a egípcia, a sublime filha do Nilo, confirma, também, a estatura universal da “Dona de Angola”, figura lendária, verdadeira Patrimônio da Humanidade.

Por
Simao SOUINDOULA
Historiador/ Perito UNESCO

Recebido de Anna Lúcia Florisbela, em abril 2010, a quem agradecemos.
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quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Alaíde do Feijão: Mulher Ancestral

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Lançamos mão da bela reflexão de Marcos Rezende para, junto com ele, homenagear Alaíde

Voto em Alaíde do Feijão até para Presidente do Brasil


por Marcos Rezende*


Cá estamos nós em momentos de eleições, é claro que estamos todos, de uma forma ou de outra, envolvidos no processo político eleitoral do nosso país. É justamente também neste momento que a Fundação Palmares teve a brilhante idéia de reparar e democratizar as indicações ao Troféu Palmares. Primeiro indicando somente mulheres, e, diga-se de passagem, cada uma mais poderosa que a outra, e depois abrindo ao público a votação, possibilitando assim que possamos exercitar a nossa cidadania um pouco antes do pleito eleitoral nacional. São três as categorias do Troféu Palmares: religiosa, cultural e social. Sendo que todas as indicadas são de fazer cair o queixo. Mas, quero exclusivamente me dedicar ao Campo Social. Na verdade quero fazer uma homenagem, ser cabo eleitoral e pedir votos para Alaíde do Feijão. Sem nenhum demérito às demais, mas pelo que ela representa para mim. E como tomo partido em vários processos, não poderia me furtar neste caso.

Alaíde do Feijão representa aquela mulher de tempos antigos, a tia da comunidade, dos bairros periféricos. Aquela tia que quando a nossa mãe saia para trabalhar ela lá estava a observar os filhos e perguntar o que ele estava fazendo na rua até tal hora da noite e dar bons conselhos. Sempre alerta, cuidou da juventude negra em épocas que o Estado Brasileiro não reconhecia o que era ser negro.

Esta querida mulher sempre sabia como ser dura e doce, enérgica e amável. Carregada de conhecimento tradicional, e forjada na Faculdade da Vida, do Gueto, do Mundo. Alaíde vendeu muito feijão para sobreviver e para garantir até hoje a sobrevivência de muitos. Mas não falo de um feijão qualquer, a delícia de saborear o Feijão de Alaíde, não é tão somente pelo sabor, mas pela dignidade, pela batalha, pelos temperos espirituais e sentimentais invisíveis, mas atávico à nossa tradição. Pelo bate papo gostoso e aprendizado passado a cada garfada. Na verdade o seu feijão não alimenta o nosso corpo, mas a nossa alma, e a cada dedo de prosa, temos a mais completa certeza de que apesar de tudo, vale a pena viver e pedir a benção a cada momento que Alaíde dá um conselho.

Alaíde é uma ilustre filha da Ilha de Itaparica e conhece o Movimento Negro Baiano mais do que qualquer tese de doutor da academia formal. Ela lê nas entrelinhas, e mais do que isto, posso afirmar, que todo militante negro baiano ao passar por momentos de dificuldade nas suas batalhas diárias já foi lá naquele cantinho aconchegante do Pelourinho onde está instalado o Feijão da Alaíde, se reconfortar em uma mesinha onde Alaíde fica sentada como a esperar para dar consultas com um cuidado e responsabilidade ancestral. Lá diariamente está sentada Alaíde do Feijão, e na sua panela do saber está a receita dos conselhos de mestra, de mãe, de tia de comunidade, de egbomy do Axé.

Alaíde é minha mestra, e este texto pode não garantir um único voto, pode até não ser lido, ou ser tratado de forma descartável. Mas tem um significado muito especial para mim. Significa dizer para o mundo que Alaíde é minha mãe. A Mãe Preta que cuida, que zela, que passa a mão no telefone para saber como eu estou, por que sumi, o que estou fazendo, para me confortar. Para, através destes gestos me mostrar que a vida é dura, mas que ela ainda é capaz, e muitíssimo capaz de amar e me ensinar a amar e manter a chama viva. E que no final de cada batalha posso ir lá e ela estará pronta e a postos para cuidar das minhas feridas e fazer cicatrizar as dores da alma. Não em postura passiva, mas na sabedoria de quem me mandou para a o campo de batalha, e eu sei muito bem quem comanda a frente.

Este texto é tão somente para dizer e declarar ao mundo a minha querência por Alaíde do Feijão, e principalmente agradecer por tudo!

Alaíde, eu voto em ti com toda a certeza para 3 coisas: ser premiada pela Fundação Cultural Palmares, ser Presidente do Brasil e com mais certeza ainda para ocupar a cadeira do Conselho de Segurança da ONU, pois já a vejo lá, sentada naquele cantinho, dando bons conselhos para o mundo se manter em paz, e quando perguntarem a ela como está a sua vida, sei que irá desconversar, como a querer dizer a vida é dura, mas é a que se tem e a que devemos amar e tocar como uma grande orquestra afro. A nos mostrar que a sua passagem por aqui é para se doar, e doar, doar, doar. Ensinando-nos sempre que o amor não tem limites e que apesar de cada não, de cada dor que nos invade somos nós a alegria da cidade.

Alaíde, simplesmente te amo e obrigado por me transformar em alguém melhor para o mundo e mundo muito melhor para mim e muitos outros que podem até não te conhecer, mas que desfrutam da sua boa energia.


*Marcos Rezende
Ogã de Ewá do Ilâ Axé Oxumarê
Coordenador Geral do CEN
marcosrezende100@gmail.com






sábado, 5 de junho de 2010

Luislinda Valois: Mulher para quem exigimos respeito

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Luislinda e o Preconceito
maio 15th, 2010
Da coluna Tempo Presente (A Tarde)

Depois de ter aparecido na novela Viver a Vida, da Globo [Rede Globo de televisão], dando um emocionado depoimento sobre as agressões racistas que sofreu ao longo da vida e de como as superou até tornar-se ([em] 1984) a primeira juíza negra do Brasil, a baiana Luislinda Valois voltou a ser alvo de preconceito, ironicamente, justo por estar no cenário novelesco.

Participou da festa de encerramento de Viver a Vida ao lado do elenco. Ontem [14 de maio 2010], o site da Rádio Banda B, de Curitiba, exibiu fotos do evento. Numa delas, a atriz Natália do Vale abraça Luislinda. Abaixo, a legenda: Natália do Vale enche de mimos a camareira.

No fim da tarde, o site tirou a matéria do ar. Mas o caso Luislinda (ontem e hoje) mostra o óbvio: em matéria de preconceito racial, o Brasil ainda tem muito a superar.

Extraído de Pimenta na Muqueca

Grifos e [ ] são nossos

O depoimento da juíza veiculado na novela




A legenda saiu do ar, mas ficou a "errata". (clicar sobre para ler melhor)

O link da errata está AQUI e foi acessado por nós em 06-06-2010
Quisemos copiá-lo caso também saia do ar


Agradecemos a "anônimo/a", no Comentário desta postagem,
que evidenciou para nós sobre a data da "festa" (10 de maio).

Não estando em dia com a Globo, nossa pesquisa
havia nos levado à data do dia 14,
o que fez com que não compreendêssemos (duplamente) a errata.


Filho processará site por legenda errada da mãe
21 de Maio de 2010

... A insatisfação do promotor de Justiça de Sergipe, Luís Fausto Valois, se deve a um vídeo publicado no site, em que sua mãe, a juíza baiana Luislinda Valois, 68, é identificada na legenda como camareira. Nesse vídeo, Luislinda é abraçada pela atriz Natália do Vale, que fez a Ingrid na novela Viver a Vida, da Rede Globo. Quinta-feira (20 de maio), em seu portal, a Associação de Magistrados da Bahia (Amab) divulgou uma nota de apoio e desagravo em virtude do problema. “Nada contra camareiras, até porque minha avó era lavadeira de roupa. Mas vamos ter respeito pelo caminho que cada um traçou. Minha mãe tem 51 anos de serviço”... Ela foi entrevistada no Programa Happy Hour, apresentado por Astrid Fontenelle, da GNT. [Informações do A Tarde.]

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Juíza baiana lança livro na Bienal de Alagoas
07h51, 05 de novembro de 2009



Com a socióloga Luiza Bairros,
Secretária estadual de Promoção da Igualdade da Bahia

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